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Projeto apresenta oportunidades para o setor lácteo brasileiro nos Estados Unidos

Com o objetivo de discutir as oportunidades para o setor lácteo brasileiro nos Estados Unidos, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu no último dia 19 de março, um seminário virtual do Projeto Agro.BR. O webinar contou com o apoio da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) e com a participação do adido agrícola do Brasil em Washington, Filipe Lopes.

Na abertura do encontro, a coordenadora de Promoção Comercial da CNA, Camila Sande, pontuou que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de lácteos, com aproximadamente 36 bilhões de litros de leite produzidos em 2020. De acordo com Camila, o consumo anual por habitante é de 173 litros de leite. Já nos Estados Unidos esse consumo chega a 296 litros por habitante ao ano. “Os Estados Unidos é um mercado com muito potencial e certamente tem espaço para os produtos lácteos brasileiros. A ideia do seminário foi discutir como podemos qualificar a presença dos produtores brasileiros nesse mercado”, ressaltou Camila.

O adido agrícola em Washington, Filipe Lopes, foi o convidado para falar sobre as principais características comerciais dos Estados Unidos e as oportunidades para o setor de lácteos. “Os Estados Unidos são uma sociedade de consumo avançado e possuem um mercado bastante desenvolvido, voltado para produtos de consumo direto”, comentou.

Segundo Lopes, a projeção da produção total de leite dos Estados Unidos para 2021 é de 103,1 milhões de toneladas, o que significa um aumento de 1,8% quando comparado a 2020. Com relação ao perfil de importação americana, o adido informou que o país importa US$ 103 bilhões em produtos disponíveis para o consumo direto, sendo os produtos lácteos responsáveis por 3,08% (US$ 3,3 bilhões) desse total.

Filipe também ressaltou os principais concorrentes do Brasil no mercado de lácteos dos Estados Unidos: os europeus concentram a pauta exportadora e são grandes concorrentes em razão das preferências tarifárias; a Argentina é o maior exportador sul-americano e possui cotas específicas; e o Chile tem acordo tarifário com os norte-americanos. “Para produtos exportados pelo Brasil, os principais competidores são os europeus e os parceiros da América do Norte. O Chile é o maior concorrente quando o assunto é leite condensado. Queijos maturados é a Itália, leite e creme de leite o México, manteiga é a Irlanda, leite em pó também é o México e iogurte é o Canadá”, explicou Lopes.

Por fim, o adido agrícola em Washington afirmou que nos Estados Unidos há uma previsão de aumento da produção e das exportações de produtos lácteos, especialmente manteiga, devido aos preços competitivos. Também há estimativa de redução nas importações de butter fat e concentrados proteicos de leite.

Para os interessados no mercado americano de lácteos, Filipe Lopes alertou que o câmbio e a diferenciação do produto são fundamentais. “Atualmente, a promoção de produtos é limitada devido à pandemia, então, o ideal é focar no longo prazo e pensar em coordenação logística”.

Gustavo Beduschi, diretor-executivo da Viva Lácteos, destacou que o Brasil tem aumentado as exportações de lácteos para os Estados Unidos, mas ainda há potencial para expandir. “Precisamos trabalhar com um olhar à frente e buscar estratégias para sair do mercado da saudade”.

Já o analista técnico econômico da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Fernando Pinheiro, pontuou que o país americano é um mercado consumidor forte, que sabe o que quer. “Os Estados Unidos não quer commodity ou produto a granel, quer algo pronto para o consumidor. É muito importante saber o que o cliente quer e, principalmente, quem são os concorrentes”.

O Projeto Agro.BR é uma iniciativa da CNA e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) voltada para a internacionalização do agro brasileiro. O Projeto auxilia empresários do setor, viabilizando negócios internacionais para aumentar a presença de pequenos e médios produtores no comércio exterior, além de diversificar a pauta de exportação brasileira.

Fonte: Milk Point