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INOVAÇÃO: Mondeléz produz barra de chocolate com manteiga de cacau cultivada

A Mondelēz International alcançou um marco no setor de PD&I ao produzir as primeiras barras de chocolate ao leite utilizando manteiga de cacau proveniente de agricultura celular. O ingrediente foi desenvolvido pela startup israelense Celleste Bio, da qual a Mondelēz é investidora estratégica. O sucesso do protótipo valida a viabilidade técnica da tecnologia de cultivo de células para a produção de gorduras complexas, preparando o terreno para que a startup escale sua operação industrial nos próximos dois anos.

Inovação em biofábricas

Diferente dos substitutos de gordura convencionais, a manteiga de cacau da Celleste Bio é considerada bioidêntica à tradicional. Isso significa que o ingrediente entrega o mesmo perfil de fusão, textura e experiência sensorial — elementos críticos para o mouthfeel do chocolate — sem a necessidade de alterar a lista de ingredientes ou os processos de fabricação existentes nas plantas industriais.

A tecnologia permite produzir toneladas de manteiga e pó de cacau em biorreatores a partir de uma única amêndoa de cacau. Segundo Michal Beressi Golomb, CEO da Celleste, a produção em escala pode economizar vastas áreas de terra: o que hoje exige cerca de um hectare de plantio tradicional poderá ser replicado em ambiente controlado, mitigando riscos climáticos e logísticos.

Estabilidade de suprimentos em um cenário de volatilidade

A incursão da Mondelēz (detentora de marcas como Toblerone e Milka) na agricultura celular é uma resposta direta à instabilidade do mercado global de cacau. Fatores como mudanças climáticas e crises produtivas na África Ocidental causaram quedas de até 40% na safra de 2024, elevando os preços e pressionando as margens da indústria.

Em termos de escala, a Celleste projeta produzir 50 mil toneladas anuais até 2035, o que supriria aproximadamente 5% da demanda global da indústria, servindo como uma fonte complementar e resiliente ao fornecimento agrícola tradicional.