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Nestlé dá luz verde a rótulo com semáforos em Portugal

A Nestlé vai avançar ainda este ano em Portugal com um sistema de rotulagem adicional que vai dar, através de um esquema de cores, informação nutricional aos consumidores. A companhia suíça, que há mais de um ano tem vindo a trabalhar com a Mondelez, PepsiCo, Coca-Cola e a Unilever neste projeto, já deu a conhecer ao Ministério da Saúde esta intenção.

“A iniciativa decorrerá em vários mercados europeus e Portugal é o primeiro país onde confirmamos que iremos testar o novo esquema. O anúncio dos outros mercados será feito de forma independente durante as próximas semanas”, adianta Gonçalo Granado, diretor de comunicação da Nestlé Portugal, ao Dinheiro Vivo. Coca-Cola, Pepsico e a Unilever não confirmam se vão avançar com este novo sistema de rotulagem em 2018. Ainda não foi possível obter um comentário da Mondelez.

Desde março de 2017 que a Nestlé, em conjunto com outras quatro multinacionais, está a trabalhar “no desenvolvimento de um esquema de rotulagem nutricional colorido baseado em porções, com o objetivo de ajudar os consumidores a fazerem escolhas cuidadosas e equilibradas em toda a Europa”, refere Gonçalo Granado. O novo sistema de rotulagem, conhecido como Evolved Nutrition Label (ENL), é “visualmente semelhante ao esquema utilizado no Reino Unido, tem como objetivo refletir melhor a contribuição nutricional de uma porção tal como é consumida”, descreve.

A 3 de maio as multinacionais anunciaram que iriam testar este novo modelo desenvolvido pela indústria em vários Estados membros da União Europeia, sendo esperado que “os resultados destes testes irão alimentar o processo de avaliação das opções de rotulagem nutricional para a Europa que está a ser liderado pela Comissão Europeia”, refere Gonçalo Granado.

O objetivo é até 2020 os produtos terem a nova rotulagem. Em Portugal a Nestlé quer arrancar com o processo já este ano, embora a empresa não precise uma data para a chegada aos produtos as lojas já com a nova informação nutricional. “Este é um processo com caráter contínuo, isto é, à medida que formos renovando as embalagens, as mesmas passarão a incluir as cores na rotulagem nutricional”, diz o responsável de comunicação.

As vantagens do novo sistema

Atualmente, os rótulos monocromáticos com informação nutricional apresentam os valores de lípidos, glícidos, açúcar ou sal por cada 100 g, informação que, normalmente, surge na zona lateral ou na parte de trás da embalagem.

O ENL é apresentado logo na frente do produto e adiciona um semáforo de cores aplicado aos nutrientes contidos numa porção de referência, definida com base no consumo numa única toma. A porção recomendada por cada categoria de produto ainda está a ser definida. Bruxelas tem neste momento em mãos uma proposta, criada por investigadores de universidades com a colaboração da indústria, com o objetivo de se chegar a porções recomendadas uniformes em cada produto. Por exemplo, 40 g para os cereais de pequeno almoço ao qual é sobreposto o esquema de cores.

“O sistema funciona através da aposição de cores que representam a quantidade dos principais nutrientes (açúcar, sal, gordura e gordura saturada) contida na porção recomendada do alimento ou bebida face às necessidades diárias: verde se a quantidade do nutriente presente é baixo, amarelo se é moderado, vermelho se é alto”, descreve o diretor de comunicação.

E Gonçalo Granado acredita que responde às necessidades dos consumidores portugueses, detetadas no inquérito as “Atitudes dos Consumidores Portugueses Face à Rotulagem Nutricional”. Publicado pela Direção Geral de Saúde em outubro de 2017, o inquérito conclui que “os rótulos alimentares são a fonte mais referida por 76% dos inquiridos quando pretende saber mais sobre os aspetos nutricionais dos alimentos que compra/consome”. Apesar disso, “40% dos inquiridos não compreendem verdadeiramente a informação nutricional básica que lhes permite fazer escolhas alimentares mais saudáveis (62% entre os inquiridos com os níveis de escolaridade mais baixos)”, descreve o diretor de comunicação da Nestlé.

“O formato dos rótulos e a baixa literacia da população portuguesa constituem as principais barreiras à compreensão da rotulagem nutricional” e, segundo os inquiridos, “a utilização de cores na frente da embalagem e a harmonização dos formatos facilitaria decisões de compra mais informadas”, lembra Gonçalo Granado.

Um rótulo que a Nestlé também considera que responde à EIPAS – Estratégia Integrada para a Promoção de uma Alimentação Saudável na população portuguesa (2017), que recomenda que há que “melhorar a qualidade e acessibilidade da informação disponível ao consumidor, de modo a informar e capacitar os cidadãos para escolhas alimentares saudáveis” que se deverá “incentivar a utilização de modelos de informação nutricional adicional nos rótulos dos produtos alimentares que facilitem as escolhas dos consumidores”.

“O modelo ENL vem responder a este desafio das entidades oficiais no sentido de capacitar os consumidores a fazerem escolhas escolhas mais informadas, equilibradas e ajustadas às suas necessidades”, conclui Gonçalo Granado.

Mars saiu da ENL

Em março, a Mars deixou cair a iniciativa desenvolvida pela indústria. Falta de “consenso” e “credibilidade” foram as razões apresentadas pelo fabricante da M&M’s e da Snickers.”A solução por porção explorada pelo ENL não goza atualmente da credibilidade e o consenso necessário entre os stakeholders para o tornar uma opção viável nesta fase”, disse um porta-voz da companhia citado pela Food Navigator.”Precisamos de uma solução pan-europeia, para que todos os consumidores possam beneficiar disso e reduzir a complexidade e os custos para o negócio”, disse a mesma fonte.

Falta credibilidade e consenso ao sistema? “Antes pelo contrário”, diz Gonçalo Granado. “O modelo ENL visa mostrar aos consumidores de uma forma clara o que contém a porção que eles consomem, quanto contribui para a sua ingestão diária recomendada e proporcionar essa informação através de cores.

Para além da reformulação nutricional e da inovação, as pequenas porções – baseadas em porções credíveis – têm um papel fundamental no suporte a escolhas de consumo mais saudáveis e deverão ser reconhecidas como tal num esquema nutricional evoluído”, defende o diretor de comunicação.

Mais, reforça, foi estabelecida uma taskforce – composta por cientistas, associações do setor alimentar a nível europeu e nacional, retalhistas, ONGs e representantes de entidades reguladoras nacionais – que reuniu quatro vezes entre maio e setembro de 2017. “O modelo ENL é aberto a todos e continuamos a encorajar outras empresas a juntarem-se a este modelo”, diz.