A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um novo conjunto de padrões globais para reduzir o consumo de sal em mais de 60 categorias de alimentos. A iniciativa deve elevar a pressão para a indústria alimentícia acelerar a diminuição desse condimento nos produtos.
Segundo a OMS, a maioria das pessoas consome o dobro das cinco gramas de sal recomendadas por dia. No Brasil, o consumo nacional médio também é excessivo, de 9,3 gramas por dia ou quase o dobro da recomendação, segundo fontes do governo. Além da adição do sal de cozinha aos alimentos, no preparo e no consumo, muitos produtos industrializados têm quantidades mais altas de sódio (componente do sal relacionado ao risco de hipertensão).
A OMS tem meta para redução de 30% no consumo global de sal/sódio até 2025. No entanto, a constatação é de que o mundo está longe de atingir esse objetivo de saúde pública.
Produtos alimentícios processados similares muitas vezes contêm diferentes quantidades de sódio em diferentes países. As referências mundiais harmonizadas da OMS mostrarão aos países como reduzir progressivamente as suas metas, com base em seus ambientes alimentares locais.
Os novos padrões da OMS dão aos países e à indústria um ponto de partida para rever e estabelecer políticas para transformar o ambiente alimentar. Os benchmarks globais de sódio da OMS visam uma ampla gama de categorias de produtos alimentícios processados e embalados que contribuem significativamente para dietas excessivamente salgadas. Pão processado e embalado e produtos de carne e queijo estão entre as categorias com alto teor de sódio identificadas para os novos padrões globais.
A entidade usou padrões brasileiros para recomendar uso máximo de sal em pelo menos duas categorias de produtos: biscoitos recheados, com o sal limitado a 265mg por 100 gramas, e rocamboles, com 205mg/100g.
Para a OMS, a redução do teor de sódio por meio da reformulação de alimentos industrializados é uma estratégia comprovada para reduzir a ingestão de sódio pela população, particularmente em locais onde o consumo de alimentos processados é alto.
Os novos benchmarks estão sendo lançadas em um ano decisivo para a política alimentar e nutricional, segundo a OMS. A Cúpula de Sistemas Alimentares das Nações Unidas, em setembro, e a Cúpula de Nutrição para o Crescimento, em dezembro, reunirão uma ampla gama de interessados para melhorar a situação alimentar e assumir compromissos.
A OMS tem destacado duas expectativas específicas para os compromissos da indústria com as reduções de sal/sódio. Primeiro, a reformulação de alimentos para reduzir as concentrações de sódio, o que significa adotar metas padronizadas de níveis do ingrediente para as categorias de alimentos e bebidas que mais contribuem para a ingestão de sódio e implementá-las até 2025. Um conjunto global comum de metas será estabelecido por meio de um diálogo com a OMS. A segunda expectativa diz respeito à rotulagem dos produtos: fornecer os dados de sódio na embalagem exigidos pelo Codex (todos os serviços e fabricantes de alimentos em todos os países). Os serviços de alimentação e as cadeias de restaurantes também devem fornecer esses dados na loja, na embalagem ou on-line.
A entidade global diz estar em diálogo com a International Food and Beverage Alliance (IFBA), que representa cerca de 13% das vendas globais de alimentos embalados, sobre melhoria da qualidade nutricional dos produtos alimentícios e bebidas.
Fonte: Valor Econômico







