Pesquisadores noruegueses publicaram um novo estudo no European Journal of Preventive Cardiology que demonstrou uma associação entre beber café filtrado e um risco 12% menor de doenças cardíacas nos homens e 20% menor nas mulheres. O estudo também demonstrou que o café filtrado reduz o risco de mortalidade e que o café não filtrado aumenta o risco de doença cardíaca coronária.
No geral, a menor taxa de mortalidade foi encontrada naqueles que bebem de uma a quatro xícaras de café filtrado por dia. O consumo diário de cinco a oito xícaras de café filtrado correspondeu a um aumento de 7% nos riscos à saúde do coração e mais de nove xícaras de café filtrado por dia apresentaram aumento de 9% no risco para homens e mulheres.
O estudo foi realizado com dados coletados de 509.000 homens e mulheres noruegueses entre 20 e 79 anos, no período de 1985 a 2003. No estudo, 59% dos participantes indicaram a preferência pela bebida filtrada, enquanto 20% preferiam a bebida não filtrada. Apenas 12% dos participantes do estudo não bebiam café.
No artigo publicado no European Journal of Preventive Cardiology, os pesquisadores levantaram a hipótese de que a menor mortalidade associada ao café filtrado, em comparação com o não filtrado, é ser rico em antioxidantes, incluindo polifenóis, que inibem a oxidação do colesterol das lipoproteínas de baixa densidade (LDL). O colesterol LDL, conhecido como colesterol "ruim", contribui para as doenças cardíacas porque contém diterpenos kahweol e cafestol, que aumentam o conteúdo lipídico no organismo. No café não filtrado, as concentrações desses componentes são 30 vezes maiores do no café filtrado.
Os pesquisadores não conseguiram dizer se as suas descobertas eram aplicáveisa outras populações do mundo. No entanto, afirmaram que é razoável supor que o efeito de aumento de colesterol do café não filtrado seja generalizável.
Outros estudos mostraram resultados semelhantes. Uma pesquisa publicada em 2017, no Annals of Internal Medicine, relacionou o consumo de duas a três xícaras de café por dia com um risco de morte 18% menor, com ênfase na redução de doenças cardíacas. Em 2018, um estudo sobre câncer realizado por pesquisadores dos Estados Unidos ecoou essas descobertas e afirmou que beber até oito xícaras por dia não aumenta o risco de morte. Mais recentemente, em 2019, pesquisadores da Universidade Queen Mary, de Londres, apresentaram descobertas de que consumir até 25 xícaras de café por dia pode não ser tão prejudicial à saúde do coração quanto as pessoas imaginam.
Essas descobertas são uma boa notícia para quem toma uma xícara de café para iniciar o dia, o que, de acordo com uma pesquisa da Associação Nacional de Café dos Estados Unidos citada pela Reuters, inclui 64% dos americanos. Também é uma boa notícia para os fornecedores de café que buscam capitalizar o aumento da popularidade da bebida. Segundo a pesquisa Statista, o consumo de café deve apresentar crescimento anual projetado (CAGR) de 3,6% entre 2020 e 2025.
Com milhões de xícaras sendo consumidas diariamente, as notícias de que o café pode realmente ser benéfico para a saúde são bem-vindas para uma população que gosta cada vez mais da bebida.







